No começo dessa semana, o governo brasileiro anunciou o fim do visto para turistas oriundos dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão. O Brasil fez isso sem qualquer sinal de reciprocidade desses países, que é o que geralmente pede a diplomacia, mesmo não sendo uma regra. Com essa nova medida, esses estrangeiros poderão entrar no Brasil quase que livremente e ficar por até 90 dias, tempo que pode ser renovável por mais 90.
Além de não receber a mesma atenção, o governo federal deixará de arrecadar R$ 60 milhões por ano com o fornecimento de vistos para os viajantes americanos, canadenses, australianos e japoneses. Esses dados são do Itamaraty, que também afirmou que, em 2018, foram fornecidos 258.437 vistos de turistas para esses grupos.
O único aceno, longe de ser a liberação do visto, foi dos Estados Unidos. Ontem o governo ianque informou que os brasileiros poderiam, aos poucos, de acordo com a frequência das viagens, conseguir passar em uma imigração mais rápida, apenas com um aparelho fazendo a leitura do passaporte. A princípio, seriam liberados 1,5 mil acessos, mas isso teria um custo para o Brasil de cerca de R$ 500 mil, mais uma taxa a ser cobrada dos viajantes brasileiros para manter esse privilégio, ou seja, o país perderia receita com o fim dos vistos e ainda teria que arcar com custos de um novo sistema. Isso não poder ser levado a sério.
A justificativa é de que isso facilitaria o fluxo de visitantes ao país, mas o Executivo se esqueceu de mencionar que apenas os Estados Unidos enviam uma quantidade de visitantes respeitável para cá. Em 2017, 475 mil turistas americanos nos visitaram, ficando apenas atrás dos turistas argentinos, que somaram 2,2 milhões de pessoas. Por sua vez, o Japão ocupa a 18º colocação no ranking de visitantes estrangeiros. Canadá e Austrália sequer aparecem entre os 20 principais.
Se o Brasil quer atrair mais turistas é preciso investir em infraestrutura para o setor, segurança pública e entretenimento. Um simples corte nos vistos, além de jogar por terra o princípio da reciprocidade, não deve ajudar em muita coisa.