Quando se começa o processo educacional de uma criança, especialistas dizem que os pais devem servir de "exemplo", pois aquilo que fazem pode repercutir no comportamento do filho. Atitudes simples, como passar num farol vermelho, jogar lixo na rua, desrespeitar um idoso, podem interferir na personalidade do descendente. Fala-se que é preciso estar envolto de pessoas que inspiram a ser "alguém do bem". Um garoto esforçado, uma menina estudiosa, uma criança respeitadora, um jovem solidário e por aí vai. São frutos da convivência com quem semeia valores, como respeito, afeto, solidariedade, atenção. Por outro lado, quem convive com os que são "do mal" vão se deparar com novas inspirações, como a esperteza, a falsidade, a mentira, o individualismo.
Tudo isso para ilustrar que "bons exemplos" interferem na formação não só de uma criança, mas também na de um adulto. Podemos encontrá-los em nosso meio, mas cobrar tal postura fica cada vez mais difícil quando aqueles que representam a nossa nação não se comprometem a agir como tal. Como semear valores essenciais para o desenvolvimento de uma sociedade num país em que se prolifera a "cultura da corrupção". O que temos é uma nação com ex-presidentes presos, ex-governadores na cadeia, senadores e deputados envolvidos em processos judiciais, longe de serem "exemplos" para os cargos aos quais foram incumbidos a administrar.
Não se pode generalizar, afinal, ainda existem governantes que assumem um cargo público com o desejo de mudança. Também não se pode considerar os governos como um estado paralelo, como se a corrupção só partisse dos altos escalões. Pelo contrário, ela se encontra em toda a parte, das classes mais humildes às mais abastadas, e em todos os segmentos. Não se pode ainda dizer que faz parte da nossa genética, afinal, este não é um problema recorrente apenas no Brasil. No entanto, enquanto a transparência não for a premissa nos diversos espaços, setores e comunidades; as leis, fiscalização e punição mais rigorosas; o caráter, a conduta de todo o ser humano; o cenário brasileiro continuará carente de verdadeiros exemplos a serem seguidos.