"Para quem vamos dar presente no Dia dos Pais?", perguntam dois meninos angustiados com o futuro. "Pra mim", tenta aliviar a mãe. O diálogo se dá no Parque da Cachoeira, uma das comunidades atingidas pela lama da barragem da Vale que rompeu em Brumadinho. Quem pergunta são os filhos de Flaviano Fialho, de 34 anos, funcionário da Vale, cujo corpo foi encontrado dois dias após a tragédia.
Com 9 e 6 anos, os garotos têm feito muitas perguntas à mãe, Fernanda Fialho, de 31 anos. A lembrança também está nos arredores. De um lado, casas que chegaram a ter meio metro de lama em suas paredes. No meio, residências cuja existência só se constata porque é possível ver seus telhados.
A tragédia de Brumadinho completa um mês amanhã com um saldo de 176 mortos já identificados, a maior parte homens, 134 pessoas ainda desaparecidas, uma cidade com várias comunidades ainda tomadas pela lama e uma população desnorteada, tentando retomar sua vida.
A maior parte das vítimas já identificadas é homem (136), pai, trabalhador da mineração. A Vale anunciou anteontem que manterá por um ano, ou até que seja fechado um acordo definitivo de indenização, o pagamento de 2/3 dos salários de todos os empregados próprios e terceiros que morreram na tragédia. (E.C.)