A nossa sociedade está habituada a tratar de economia, naturalmente, com base na Constituição, a qual garante inúmeros direitos ao cidadão, sendo certo que, infelizmente, o Estado não os entrega nunca, desde que foi promulgada, há mais de trinta anos. Daí, o atual viés na direção do liberalismo econômico: "mais Mises e menos estado".
Um arrazoado simples pode nos fazer entender melhor. Podemos considerar que há quatro formas principais de gastar dinheiro e relacionadas a essas, quatro expectativas predominantes. A primeira é você gastar o seu dinheiro com você próprio e, neste caso, a expectativa será o melhor custo-benefício, ou seja, espera-se a melhor qualidade com o menor custo, afinal, o dinheiro é seu, não é fácil de obter e o esforço será óbvio para se chegar ao melhor resultado.
A segunda forma é você gastar o seu dinheiro com os outros: em regra, a sua busca aqui será pelo custo, deixando a qualidade em segundo lugar, afinal, é o seu dinheiro suado sendo gasto com os outros. A terceira é quando os outros gastam o seu dinheiro com você: sua tônica e expectativa estarão, primordialmente, na qualidade - aqui você vai exigir muito.
Nessas três modalidades, a sua interferência na forma de gastar o seu dinheiro é considerável e podemos admitir que o controle, a fiscalização e o resultado tendem a ser aceitáveis, pelo menos, pois, é claro, estamos sendo genéricos e, portanto, desprezando particularidades e complexidades que sempre há no trato financeiro.
Agora, a última é a forma que tem sido praticada em larga escala no Brasil e que não tem dado nada certo: os outros (governo) gastando o dinheiro dos outros (você e os demais contribuintes) e na visão deste (governo) parece que tanto faz, quanto aos melhores custo e qualidade.
A pergunta é: você prefere continuar entregando o seu dinheiro para os outros (governo) gastarem com você e com os outros ou é melhor você ficar com o seu dinheiro e gastar com você e com os outros da forma que entende ser melhor?