Que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) seria reacionário isso era certo. O presidente deixava claro que, durante seu governo, iria promover o resgate dos valores familiares e religiosos ao Brasil. Em certas vezes, o social liberal disse que gostaria que o país regredisse alguns anos para voltar aos velhos tempos, pensamento bem diferente do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976), que dizia que o Brasil precisava avançar 50 anos em cinco.
No campo acadêmico, isso é conhecido como cultura estacionária, ou seja, quando determinada pessoa diz que no passado tudo era bom, mas se esquece que a flecha do tempo só vai para a frente. Enfim, em todo o governo pode se pagar um preço, o de Bolsonaro parece ser esse: olhar para o passado, ao menos no quesito dos costumes.
Apesar disso, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, enviou um comunicado às escolas do país explicando que os alunos devem cantar o Hino Nacional e entoar o slogan de campanha do Bolsonaro: "Brasil acima de tudo e Deus acima de todos". Porém, o pior de tudo, era o pedido do ministro para filmar as ações e enviar à pasta. O pedido foi tão descabido que até o vice-presidente, Hamilton Mourão, estranhou a ideia.
Depois da repercussão nacional, Rodriguez voltou da decisão e disse que os alunos, se as escolas desejassem, poderiam cantar o hino, mas sem a necessidade de filmar ou repetir o slogan. Os ministros e aliados políticos de Bolsonaro vêm colecionando situações inusitadas e depois são obrigados a voltar das decisões, porém o ministro da Educação parece ter ultrapassado um pouco mais essa linha que divide uma opinião ruim de uma medida autoritária.
As ações propostas por Rodriguez nos remetem à época em que o regime militar governava o país. Nesse período, que durou entre os anos 1964 e 1985, professores não podiam criticar o presidente por não saber se poderia haver um censor do governo vigiando o que ele fazia ou deixava de fazer e, filmar os alunos, parece ser um resquício desse tempo. Isso não combina nada com uma escola.