Enquanto o governo afirma que há déficit sequente e prolongado, bem como projeções inequívocas de colapso num curto prazo, algumas entidades e outros especialistas afirmam, exatamente, o contrário e as bases nunca coincidem, muito menos as interpretações dos dispositivos que fazem parte do arcabouço legal que rege a previdência, começando pela constituição federal.
Há certo consenso de que muito maior problema está no setor público do que no privado. Independentemente de certas discrepâncias nos dados, conforme citei, podemos indicar que as médias de aposentadoria do setor público são de R$ 9 mil para o executivo, R$ 25 mil para o judiciário e R$ 28 mil para o legislativo, enquanto a média da aposentadoria para o setor privado, em geral, é de R$ 1,6 mil mensais. Temos ainda, R$ 1,3 tri de déficit para o setor público (1 milhão de beneficiados) e
R$ 450 bi para o setor privado (29 milhões de beneficiados), em quinze anos (entre 2001 e 2015), tudo dentro de uma ordem de grandeza aceitável em relação aos dados do Ministério do Planejamento.
Daí vêm as mais diversas assertivas no sentido de encaixe ou não em determinado plano de contas: se for assim, há déficit, se assado, não, etc. e tal. Em que pesem as complexidades das previsões de longevidade, tempo de contribuição, acidentes, afastamentos por diversos motivos e afins, há vários países do mundo que conseguem fazer bem essas contas e ter sistemas muito mais consistentes e eficientes do que o nosso, portanto, é possível e viável fazer melhor. Por outro lado, é óbvio que a previdência brasileira se transformou num grande e oficial programa de transferência de renda de quem tem menos para quem tem mais. Agora, parece-me que há vontade do governo e disposição do legislativo para começar a resolver a questão, a partir de uma boa e equilibrada proposta da equipe do ministro Paulo Guedes que implicaria uma economia de cerca de um trilhão de reais em dez anos, já com o apoio do presidente da Câmara.
É a salvação: que Deus nos ajude!