O governo encaminhou à Câmara dos Deputados a proposta de reforma da Previdência. A partir de agora, e mais uma vez, acompanharemos um acalorado debate sobre diversos pontos presentes na proposta. Foram várias as tentativas de promover mudanças, mas em nenhuma delas, o governo conseguiu formar a maioria para conduzir o processo, mantendo todos os pontos da proposta apresentada.
Dessa vez, no embalo da recente eleição e do desejo da instituição chamada "mercado", as mudanças pretendidas são mais ousadas. Vai desde a redefinição da idade mínima para a aposentadoria, passando pela instituição de benefícios com valores inferiores ao salário mínimo, incluindo a tentativa de se criar um novo sistema previdenciário, baseado na capitalização.
Já é possível identificar diversos sinais que a tarefa do governo não vai ser nada fácil. Parlamentares, inclusive da base, já manifestaram incomodo em relação ao impacto das mudanças sobre os mais pobres.
No caso do sistema de capitalização, no qual cada trabalhador terá uma poupança individual (administrada por instituições financeiras privadas) para depois de um determinado tempo ter direito aos rendimentos dessa poupança, é importante destacar que alguns países que adotaram esse sistema estão revendo tal decisão.
Aqueles que defendem a reforma defendem também que é preciso considerar a especificidade dos militares. Mas não reconhecem as especificidades daqueles e daquelas que ensinam. Professor é a única categoria que leva trabalho para casa sempre. Não é algo eventual.
A postergação do capítulo que trata da previdência dos militares também tem gerado ruído entre parlamentares. Muitos querem que a tramitação da reforma só seja iniciada quando o legislativo tiver conhecimentos das mudanças pretendidas para a previdência dos militares.
De resto, a ação dos eleitores e corporações sobre seus representantes deve ser intensa. Muitos parlamentares serão candidatos a prefeito em 2022. Vamos ver como a banda vai tocar.