O Partido Social Liberal (PSL), legenda que abriga o presidente da República, Jair Bolsonaro, vive um momento crítico, mergulhado em casos de denúncias de candidaturas laranjas. A saída do ministro Gustavo Bebianno - o pivô da polêmica - da Secretaria-Geral da Presidência ontem, é uma medida paliativa para acalmar os ânimos da Imprensa e da oposição. Sua substituição pelo general da reserva Floriano Peixoto Vieira Neto, mais do que representar um ganho de fôlego para o governo, amplia a participação militar nos comandos da nação, solidificando a proposta do presidente de impor uma linha política por meio da participação direta das Forças Armadas.
Historicamente, o PSL é ainda um partido com ares adolescentes e ganhou projeção apenas com a eleição de Jair Bolsonaro no ano passado. Fundado em 1994, o registro oficial da legenda só ocorreu em junho de 1998, no auge da polarização entre o PT e o PSDB, siglas que conduziram o país nas últimas décadas. Sobrevive com nomes pouco conhecidos no cenário político, incluindo alguns candidatos-relâmpago eleitos em 2018, arrastados pela avalanche de insatisfação popular contra os detentores do poder. Mas são figuras promissoras que dividem o tempo entre declarações polêmicas e pedidos de desculpas pelas palavras mal interpretadas. Dois filhos de Jair, o deputado federal Eduardo e o vereador Carlos, já declaram intenção de trocar o partido por uma releitura da União Democrática Nacional (UDN) com o intuito de preservar eleitores e isentar a legenda do pai de futuros problemas.
A deputada Ana Caroline Campagnolo (PSL-SC) é outro nome dentro desse grupo inquieto. Ferrenha defensora da Escola Sem Partido, ela ficou conhecida no ano passado quando deu declarações incentivando alunos a gravarem aulas de supostos professores doutrinadores, com posições contrárias ao então candidato Bolsonaro, e garantir a chamada autonomia partidária em sala de aula.
Com representantes desse naipe, o partido do presidente da República corre o riso de se tornar efêmero e acabar enterrado mais rapidamente do que a sua ascensão meteórica.