Dilma Rousseff, quando foi reeleita presidente da República para o mandato 2015/2018, precisou enfrentar um fenômeno até então desconhecido: iniciar um governo já em baixa. A candidata pelo PT encarou um adversário franco atirador na época, o mineiro Aécio Neves (PSDB), hoje deputado federal. Na disputa de 2014, Dilma venceu a corrida eleitoral com 54 milhões de votos contra 51 milhões do tucano.
Naquela época os eleitores não sabiam o tamanho do buraco em que Aécio se enfiara, e provavelmente não terminaria o governo, assim como Dilma não terminou. A ex-presidente teve que lidar com um Congresso Nacional antipático e, praticamente, metade de população contra o governo reeleito. Ou seja, ela começou o segundo mandato sem fôlego e sem capital político para gastar. Muito diferente de seus antecessores, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que estavam nos braços dos eleitores e tinham o Parlamento no bolso.
O resultado desse "protogoverno" paralisou o Brasil, setores como os de Serviço, Comércio e Indústria sentiram na pele, e no bolso, a estagnação que durou esse período. E o pior, foram os trabalhadores desses setores que, com medo das demissões, não compravam e a Economia não girava como deveria. Resultado disso tudo: recessão.
Um novo governo, que não foi reeleito, sempre traz um frescor e a vantagem de desfrutar uma lua de mel com o eleitorado e com os deputados e senadores. Está sendo assim com Jair Bolsonaro (PSL), mas as tomadas de direção de seu partido, e o "auxílio" que recebe dos filhos, pode trazer mais problemas do que ele já tem para governar.
A discussão, no caso, não é se Bolsonaro fará um bom ou mau governo, isso o tempo se encarregará de atestar, entretanto, ações como a do ministro Gustavo Bebiano, presidente do PSL, envolvido no financiamento de candidaturas laranjas e, utilizando assim, R$ 400 mil do fundo partidário, podem minar o futuro desse governo.
Se iniciativas como essas não forem corrigidas, teremos mais uma vez, um país paralisado, aguardando pela próxima eleição.