A Vila Oliveira, bairro residencial nobre em Mogi das Cruzes, é o cenário de uma discussão antiga na cidade. De um lado, os moradores de condomínios e casas de alto padrão, oriundos na maioria dos casos de famílias tradicionais, querem a preservação do bairro como espaço exclusivamente residencial, que lhes garanta privacidade e tranquilidade nos deslocamentos. No sentido oposto, existem empresários e construtoras que enxergam a localidade como grande potencial econômico e, por isso, gostariam que a legislação atual fosse flexibilizada, permitindo o desenvolvimento comercial na região.
No centro da questão, a prefeitura da cidade tem procurado intermediar as divergências e agir dentro da lei para dar o melhor destino ao bairro. Na quarta-feira, o Executivo decidiu suspender uma audiência pública, inicialmente marcada para o próximo dia 22, que discutiria mudanças na Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo, a chamada Lei de Zoneamento. A suspensão vai de encontro ao desejo da Associação de Moradores da Vila Oliveira e Adjacências (AMVOA), que, inclusive, havia pedido o cancelamento da reunião junto ao Ministério Público (MP) sob a alegação de que faltam estudos mais aprofundados para a mudança.
O choque de interesses entre os setores empresariais e os moradores também ocorre em outros municípios do Alto Tietê. A discórdia é comum a partir do momento em que uma determinada região passa a enfrentar os percalços do desenvolvimento. Mais valorizado, o bairro chama a atenção para novos empreendimentos, que trazem consigo os transtornos de congestionamentos, barulho e violência urbana. Exatamente aquilo que os pacatos moradores querem distância.
É difícil conciliar os dois lados. Não se pode simplesmente fechar os olhos para as transformações obrigatórias do crescimento dos municípios, como também os moradores não devem ser colocados em plano inferior. A tarefa de encontrar o ponto de equilíbrio está nas mãos das autoridades executivas e legislativas. E a melhor forma de conduzir a questão é por meio de um conjunto de com ações sensatas, íntegras e transparentes.