Todos os anos começam com tragédias, mas 2019 superou ao anunciar, em tão pouco tempo, tantas notícias negativas. As boas energias, os votos de um ciclo renovador, a esperança de um período melhor foram se esvaindo diante das inumeráveis perdas. Vidas se foram, a começar com o rompimento da barragem em Brumadinho, que já chegou a 166 mortos e ainda existem 144 desaparecidos; o incêndio que atingiu o Centro de Treinamento do Flamengo, onde dez jovens morreram; e, para completar, a despedida do jornalista Ricardo Boechat de forma assustadora. Sem contar os artistas, como Marciano, Marcelo Yuka, Caio Junqueira, Wagner Montes e Bibi Ferreira, que nos deram adeus.
Ao meio das "desgraças", vieram revelações que colaboram para diminuir a esperança de uma nação mais justa, igualitária, democrática, que respeite os direitos e também estimule os deveres que competem aos cidadãos. Pode-se dizer que o Brasil é o país das irregularidades, descobertas quando vidas são ceifadas de forma impiedosa. Na barragem, uma série de irresponsabilidades, a começar com o descompromisso com os moradores; no Flamengo, a falta de alvará para funcionamento; e no acidente aéreo, a descoberta de que a empresa não tinha permissão para táxi-aéreo. Onde está a fiscalização?
O Brasil é imenso, e, ao longo dos seus mais de 8 mil quilômetros quadrados de extensão, realmente, não deve ser fácil responder minuciosamente por todos os segmentos. Mas, para o cidadão comprometido com as suas responsabilidades, cobra-se o cumprimento das leis, dos deveres, sem, por sua vez, garantir todos os seus direitos. Quanto aos grandes empresários, governantes e responsáveis pelos setores que mantêm o país, quando eles serão cobrados para agirem com transparência, compromisso e seriedade? Enquanto os administradores da nação forem tensionados a seguir o caminho da ganância e da ambição, em busca de poder, dinheiro e prestígios, será difícil combater aqueles que não se comprometem com a camada que contribui significativamente com o desenvolvimento de uma nação: a sociedade. Que o Brasil aprenda a respeitar quem, de fato, está disposto a construir uma nova história à terra tupiniquim.