A rotina de inspeções vivenciada pela EDP, distribuidora de energia elétrica no Alto Tietê, que registrou 44 mil averiguações de suspeita de fraude por consumidores no ano passado, revela a prática escancarada de furto de eletricidade. Segundo estudo da empresa, a fiscalização permitiu a recuperação de 35 mil megawatts-hora (MWh), o que poderia abastecer 36 mil residências durante um mês. Os dados são alarmantes e comprovam a tendência de uma boa parcela da população de obter vantagem de forma ilegal.
O delito conhecido como "gato", aquela ligação irregular chamada pelo infrator de "inocente", pois segundo sua avaliação não vai prejudicar ninguém, é, no mínimo, a demonstração de um desvio de caráter. Independentemente da proporção, fraudar o consumo de energia é um ato criminoso, e traz efeitos negativos para muita gente. De antemão, o fraudador está colocando em risco a sua própria família, pois as ligações clandestinas sempre oferecem perigo de curtos-circuitos e eventuais incêndios. Então, aquele benefício da conta mínima de energia elétrica pode se transformar em uma verdadeira tragédia.
Essa prática se tornou comum na prestação de serviços como o fornecimento de água, energia elétrica e sinais de televisão, telefonia e Internet. Os valores elevados das contas associados às facilidades encontradas para burlar o controle permitiram uma brecha atraente para os consumidores, o que é uma forma condenável de solucionar o problema com os próprios recursos. O infrator deve ter a consciência de que, ao fraudar um serviço, além de caminhar pela ilegalidade, está dando um péssimo exemplo dentro de casa para os filhos.
A resposta para essa momentânea vantagem pode vir no futuro, com o surgimento de gerações acostumadas pela não punição dos infratores atuais a seguir o mesmo modelo. É preciso para esses casos uma legislação mais rigorosa, com multas e limitações no recebimento dos serviços. Não dá para ficar esperando a ocorrência de um acidente para corrigir uma falha. Falta a esse grupo de consumidores um pouco mais de bom senso moral e social.