Umberto Eco, escritor italiano, um ano antes da sua morte, em 2015, indagou em uma entrevista: "Num mundo com sete bilhões de pessoas, você não concorda que há muitos imbecis? Na Internet, o imbecil pode opinar sobre tudo o que não entende". Hoje, a qualificação profissional do médico é proporcional ao volume de exames pedidos, quanto mais sofisticados melhor, e no número dos medicamentos prescritos, quanto mais novos melhor.
Etiquetados como pacientes "worried well": pessoas saudáveis, mas preocupadas com a possibilidade de ficarem doentes, consultam especialistas e pressionam para que se peçam exames e se prescrevam medicamentos desnecessários. Há poucas décadas, os exames eram considerados "complementares"; atualmente, complementar é a avaliação clínica. Pacientes impacientes, gerados num mundo apressado, resistem adotar na vida hábitos saudáveis que curam as "pseudo-doenças" e, diante do risco de ser desprestigiado, o médico atende as imposições do cliente.
A nova tecnologia está afogando o médico num mar agitado de informações e desinformações científicas, às vezes, mesmo não sendo bem testadas, algumas substâncias são lançadas por industrias farmacêuticas como medicamentos, auferindo, assim, grande lucro financeiro. A Fast Medicine é voltada para a doença e não para a saúde: o novo é sempre melhor; todos os exames e tratamentos são eficientes e seguros; a tecnologia resolve qualquer problema; fazer mais melhora a qualidade de vida; os distúrbios emocionais e a insônia podem ser controlados com antidepressivos, benzodiazepínicos e hipnóticos - drogas que promovem o bem estar químico, porém, não o natural e verdadeiro.
A medicalização da vida é rápida em suavizar o sofrimento físico, porém, não dedica tempo para apontar o caminho da cura emocional que causa o problema. A ciência cresceu e a estupidez também, porque estão procurando provar que para todo sofrimento humano existe um "gene culpado". Até se diz por aí que já descobriram o "gene da burrice".