Se já é difícil para um país mergulhado numa profunda crise econômica, política e social viver sob o comando de um governo, imagine com dois. A situação da Venezuela, país sul-americano com aproximadamente 32 milhões de habitantes, é crítica. Em 2013, após a morte do presidente Hugo Chávez, o líder da esquerda, Nicolás Maduro, assumiu o governo depois de vencer as eleições presidenciais. De lá para cá, jamais conseguiu proporcionar estabilidade ao povo venezuelano, principalmente nas questões econômicas, com a população sofrendo pela inflação desenfreada, falta de empregos e carência absoluta de alimentação básica.
No ano passado, em maio, Maduro conseguiu novo mandato, em uma eleição até hoje não digerida pela oposição e também não reconhecida por grande parte dos governos estrangeiros, que denunciaram fraudes na contagem dos votos. Descredenciado de fato, o ditador só fez aprofundar a crise e viu crescer o movimento para a sua destituição do cargo. Mesmo assim, apoiado pelas forças militares, continua resistindo no poder.
A oposição na Venezuela, na tentativa de encontrar uma solução para a crise, intensificou ações contra o governo até que, no mês passado, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino. Imediatamente foi reconhecido pelos governos aliados, cuja liderança ferrenha está nas mãos do presidente norte-americano Donald Trump. Jair Bolsonaro (PSL) também declarou apoio ao novo chefe da nação agendando, inclusive, uma conversa com a embaixadora venezuelana no Brasil, Maria Teresa Belandria, representante de Guaidó, mas não credenciada por Maduro.
Analistas internacionais avaliam que a situação do ditador é insustentável e que ele não se mantém no poder até o final do ano. Por enquanto, oficialmente, Maduro é o presidente da Venezuela, mas o crescente apoio de lideranças estrangeiras coloca Guaidó no centro das decisões. Para a população, o cenário surreal de dois presidentes dirigindo o país serve apenas para adiar qualquer possibilidade de melhora.