Desde a década de 1970, quando o presidente norte-americano Richard Nixon (1913-1994) e o secretário-geral da então União Soviética, Leonid Brezhnev (1906-1982), no auge da Guerra Fria, abriram mão de suas diferenças ideológicas e sentaram à mesa para iniciar um diálogo a respeito das limitações no número de mísseis nucleares, o mundo passou a ter um novo padrão de conversas políticas. Não há a necessidade de concordar em todos os pontos, mas é possível alinhavar acordos. Para tanto, ambos os lados têm consciência de que devem ceder em suas divergências.
O primeiro encontro levou ao acordo conhecido por aqui como Conversações sobre Limites para Armas Estratégicas (em inglês, Strategic Arms Limitation Talks - Salt) assinado em novembro de 1974 por Brezhnev e o presidente dos Estados Unidos, Gerald Ford (1913-2006). Ainda sem atender as necessidades de redução das armas e impedir devastadoras guerras mundiais, começaram as conversas para o Salt II, concretizado em junho de 1979, por Brezhnev e o presidente Jimmy Carter. Neste percurso, três líderes de governo norte-americano e um soviético tiveram de dialogar, forma mais inteligente e eficaz para se chegar a um bom acerto. A política evidencia a possibilidade de conviver com diferenças.
Amanhã e quinta-feira, o atual presidente americano, Donald Trump, estará no Vietnã para a segunda cúpula com o líder norte-coreano Kim Jong Un a respeito, também, de limitações na fabricação de armas nucleares. Dois anos atrás, os mais otimistas analistas políticos jamais poderiam imaginar os dois sentados, lado a lado, discutindo um acordo, após a troca de ofensas entre ambos. Mas a força de um diálogo e a cessão do autoritarismo superam as questões discrepantes.
Na Venezuela, a postura radical do presidente Nicolás Maduro, que sequer aceita ajuda humanitária de países vizinhos, como o Brasil, para suprir as necessidades básicas de alimentação das pessoas, pode levar a uma intervenção militar internacional. Se Maduro realmente se solidariza com o povo venezuelano, como costuma dizer, está na hora de se abrir para o diálogo.