Os dois caminhões com ajuda humanitária que saíram do Brasil com destino à Venezuela continuam detidos na fronteira com o país, na região entre a cidade brasileira de Pacaraima (RR) e Santa Elena de Uairén, na Venezuela. O relato da reportagem contradiz o anúncio feito mais cedo pelo presidente autodeclarado, Juan Guaidó, de que os veículos tinham conseguido cruzar a fronteira.
Na tarde de ontem, novos conflitos foram registrados na região. Segundo relatos, na fronteira venezuelana com a Colômbia, na ponte São Francisco de Paula Santander, venezuelanos correram para resgatar caixas de comida e remédios de caminhões em chamas. Fernando Flores, que estava no local e disse ser um parlamentar no Equador, afirmou que guardas nacionais venezuelanos incendiaram os caminhões quando estes entraram em território venezuelano, sob ordens do presidente do país, Nicolás Maduro.
Maduro prometeu bloquear todas as remessas de ajuda, consideradas por ele um "cavalo de Troia" com o objetivo de "pavimentar o caminho para uma intervenção militar estrangeira".
Produtos brasileiros
Em discurso contra a ajuda humanitária organizada pela oposição, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que está disposto a comprar produtos brasileiros pela fronteira com o país. Ao discursar para milhares de apoiadores em Caracas, ontem, Maduro indicou especificamente que não considera necessária a adesão do governo Bolsonaro à operação, capitaneada pelo autoproclamado presidente do país vizinho, Juan Guaidó.
"Podemos comprar arroz, açúcar, carne, o que o Brasil quiser nos vender. Não somos mendigos de ninguém", disse. Maduro ainda pediu apoio mundial, "à Ásia, à União Europeia, ao mundo todo" para a causa bolivariana. "Chegou a hora do nosso povo dizer a Donald Trump que tire as mãos da Venezuela", bradou.
A fronteira do país com o Brasil foi fechada ontem por forças militares venezuelanas. Já sobre a Colômbia, Maduro enalteceu que há cinco milhões de colombianos "vivendo entre os venezuelanos". "Mas minha paciência se esgotou, não podemos seguir suportando. Fora oligarquia, basta", afirmou, completando que decidiu romper todas as relações políticas e diplomáticas com a Colômbia.
A Força Armada Nacional da República Bolivariana da Venezuela (Fanb), guarda militar do país, entrou em confronto com a população na fronteira com a Colômbia, na cidade de Ureña. No local, civis protestavam contra o fechamento das pontes que ligam o país com a fronteira, por onde estava prevista a entrada de ajuda humanitária.