Há sete dias, Brumadinho, uma cidade localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, com uma população de um pouco mais que 39 mil habitantes, entrou no centro das atenções do país e do mundo. Seu relevo montanhoso deu grandes mananciais de água, que abastecem as cidades da região, bem como a maior fonte de água mineral do mundo, características que a tornam um lugar muito aprazível e, por isso, procurada por turistas.
Brumadinho é rica em minérios de ferro, explorada pela companhia Vale S.A., que, separando o metal da terra, acumula os rejeitos em grandes reservatórios denominados barragens. E foi em função do seu rompimento que a cidade entrou no rol das maiores catástrofes do mundo, devastando e destruindo tudo que havia a sua frente.
A resposta das forças de segurança foi rápida. Algumas cenas, como a do resgate de uma mulher feita por um helicóptero em local inacessível, sendo isso possível graças à destreza de seu piloto, a major do Corpo de Bombeiros, Karla, ficarão eternas em nossas mentes, como , também, ficarão aquelas em que bombeiros, deitados sobre a lama, se arrastavam para não afundar e, não economizando energia, procuravam por pessoas vivas.
Um perfeito cenário operacional foi montado, sendo estabelecido o controle dos perímetros, bem como a responsabilidade de cada segmento envolvido no processo. Ao Corpo de Bombeiros, o resgate. À Defesa Civil, a análise de riscos, e à Polícia Militar, o reforço no policiamento preventivo, evitando crimes, depredações e saques, fatos comuns quando nesses episódios. Ações essas agregadas por integrantes das Forças Armadas, militares de outros Estados, voluntários e até militares israelenses.
Um verdadeiro trabalho coordenado e sem sobreposições que resultou em, até ontem, 192 pessoas resgatadas, 395 localizadas e, infelizmente, 110 pessoas sem vida. 238 pessoas ainda se encontravam desaparecidas e, até o limite do que for possível, as buscas continuarão para resgatá-las com vida ou para um enterro digno por seus familiares.