Combate à corrupção e ao crime organizado foram os pontos centrais dos discursos dos governadores eleitos e reeleitos, bem como do presidente da República, dando às suas respectivas falas o peso necessário no sentido de reafirmarem seus compromissos diante de um triste cenário de insegurança e profunda crise econômica.
No Ceará, as considerações foram mais incisivas, transpondo os limites do que poderia ser dito, ferindo princípios estratégicos básicos encontrados em celebres obras, como a de autoria do milenar filósofo e estrategista chinês Sun Tzu, ensinamentos esses aplicados não só no campo policial e militar, mas também em diversos segmentos das áreas públicas e privadas.
Anúncio de endurecimento das regras no sistema prisional e fim da separação de detentos pertencentes às facções criminosas deram um forte tom de autoridade aos que discursaram, causando impactos positivos junto aos ouvintes, contudo despertando a atenção e preocupação dos mais experientes operadores da Segurança Pública. Esses, com base em casos anteriores, aguardavam, com apreensão, a possível reação dos líderes e integrantes das facções criminosas existentes no Estado, cuja organização e estrutura não devem ser subestimadas.
Como prova disso, lamentavelmente, no dia seguinte ao discurso, iniciaram-se os ataques. Ônibus e caminhões foram incendiados, comprometendo o transporte de pessoas e o abastecimento de produtos. Pilares de sustentação de viadutos foram, mediante uso de material explosivo, danificados, impedindo o tráfego de veículos. Ataques a prédios da Justiça, da administração pública e postos policiais demostraram a audácia e afronta às autoridades constituídas. Postos de combustível foram atacados com o uso de bombas caseiras incendiárias denominadas "coquetel molotov". Nem geradores de iluminação pública foram poupados.
Um cenário apocalíptico causado com a finalidade única de gerar pânico na população e, dessa forma, pressionar o governante a atender a vontade dos criminosos. Um verdadeiro ato de terrorismo.