Prometendo apresentar um Brasil "sem amarras ideológicas", o presidente Jair Bolsonaro (PSL) concentrará sua agenda em Davos em encontros exclusivamente com governos conservadores, nacionalistas e que fazem parte de um movimento que contesta o que chamam de "globalismo".
A agenda inclui encontros com Polônia, República Tcheca, Japão, Itália e Suíça, todos comandados por governos com características de questionamento do atual sistema e pautado em assuntos que tocam em temas como soberania e rejeição às instituições internacionais.
Hoje, Bolsonaro vai se reunir com o governo da Itália, com um forte discurso anti-imigração. Bolsonaro estará com o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, que, no dia da prisão de Battisti, telefonou para negociar uma deportação direta, sem passar pelo Brasil. O presidente também tem um encontro fechado com o primeiro-ministro do Japão, Shiunzu Abe, eleito com uma plataforma nacionalista.
Bolsonaro ainda se reunirá com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, alvo de polêmicas por ser acusado de violar a constituição de seu país para escolher seus próprios juízes da Suprema Corte. Ele também manobrou para assinar uma lei em que passaria a ser ilegal acusar a "nação polonesa" por cumplicidade no Holocausto
A agenda incluiu uma reunião com o primeiro-ministro da República Tcheca, Andrej Babis. Ele é um forte crítico da abertura de fronteiras e insiste que é contra o euro.
Outro encontro bilateral será com o presidente da Suíça, Ueli Maurer, que lidera o partido de direita. Maurer, há poucos anos, criou uma polêmica internacional ao fazer uma publicidade sugerindo que as ovelhas brancas chutassem para fora da Suíça as ovelhas negras.
O encontro tem sido alvo de debates, já que partidos políticos de centro e esquerda querem garantias de que Maurer também tratará de temas como meio ambiente, democracia e direitos humanos com Bolsonaro.