A semana começou bem desagradável para o usuário do transporte coletivo. No domingo, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) passou a cobrar R$ 4,30 pela tarifa, que antes era de R$ 4. Em Mogi das Cruzes, ontem, passou a vigorar também o novo preço da passagem de ônibus, que subiu de R$ 4,10 para R$ 4,50. Nas demais cidades do Alto Tietê, conforme levantamento publicado na edição de domingo, as prefeituras estudam o índice de elevação do transporte. Somente o município de Santa Isabel descartou, por enquanto, o reajuste das tarifas.
Neste compasso, numa contabilidade simples, o usuário mogiano, por exemplo, que utiliza uma passagem de trem e outra de ônibus, ida e volta, para se deslocar ao trabalho, considerando uma média de 25 dias ativos no mês, gastava R$ 405 e, a partir de agora, terá de desembolsar R$ 440 mensais. Ainda no campo hipotético, esse mesmo trabalhador utilizava 42,4% de um salário mínimo de 2018, então de R$ 954, e passou a despender 44% do salário atual, reajustado pelo governo Bolsonaro para R$ 998. Ou seja, proporcionalmente, o aumento do preço da tarifa superou o do salário. Resumindo: o sofrido trabalhador é o maior prejudicado da história, pois viu a já exagerada parcela de seus vencimentos destinada ao transporte ficar ainda mais comprometida.
Não se pode dizer também que as empresas concessionárias do serviço de transporte foram beneficiadas pelo reajuste, afinal, na maioria das cidades o preço da tarifa estava congelado há mais de dois anos, mas o valor do combustível, principal componente no cálculo dos preços, jamais deixou de sofrer pequenas variações positivas no período. O que se fez, então, foi recompor um índice que já estava defasado.
O jogo de empurra-empurra para a definição do preço de qualquer produto, seja ele durável ou de serviço, incluindo o das tarifas do transporte, funciona sempre assim. Todos apresentam suas justificativas, planilhas detalhadas com despesas de operação, parcelas devoradas pelos impostos e, no final do círculo, quem paga a conta mesmo é o indefeso consumidor.