O rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, Minas Gerais, que arrastou um mar de lama, provocando 65 mortes e mais de 300 desparecidos, de acordo com dados de ontem das autoridades locais, deixou também um rastro de preocupações no povo brasileiro. A primeira delas é que o desastre de Mariana, três anos atrás, também em Minas, não bastou para corrigir as falhas evidentes na legislação do país em relação à exploração das terras para a extração de minério. As denúncias de que as regras beneficiam as empresas em detrimento do bem-estar da população voltaram à tona com este episódio. Mais uma vez, as leis facilitaram a ação da empresa extratora, que operou uma bomba-relógio durante anos, assim como o fazem outras 140 mineradoras somente no Estado.
O roteiro do rompimento anunciado foi cumprido à risca. O tempo vai passando, distraindo a memória das pessoas ao passo em que as represas de rejeitos vão se aproximando do transbordo; os funcionários e moradores da região acabam se sentindo seguros pela rotina de vida até que, sem nenhum aviso prévio, vem a quebra da barragem. Aí, não tem jeito, o desastre está consumado.
No domingo, outro fato escancarou a fragilidade do quanto estamos despreparados para enfrentar situações de alerta. Quando as sirenes tocaram para avisar sobre um possível novo rompimento de barragem, a população foi evacuada preventivamente, mas muitas pessoas, sem nenhum tipo de planejamento das autoridades, nem tinham um local certo para se dirigir e acabaram perambulando pela região por quase dez horas. Ficou claro que não existe uma estrutura e nem um plano para abrigar esses moradores.
Quem acompanha as notícias sobre o desastre de Brumadinho percebe o desencontro de informações sobre as vítimas e de como os responsáveis pecam pela falta de programas de combate a situações de emergência. O mínimo que podemos aprender com esta tragédia é que alguma coisa tem de ser feita para garantir maior segurança à população, começando por uma legislação mais rigorosa e transparente que reduza a zero a possibilidade da ocorrência de novos casos.