A primeira semana de trabalho do governo Jair Bolsonaro (PSL) ficou marcada por uma série de declarações polêmicas de seu corpo de ministros. Difícil imaginar, claro, que um presidente novo, com uma equipe totalmente heterogênea, formada por componentes de origens diversas, tivesse um discurso uniforme no início de mandato. É evidente a falta de uma cartilha amplamente debatida pelos pares e que já tivesse sido colocada em prática há tempos, maturada e aprimorada pela experiência da execução. O PSL é ainda um embrião no Executivo e peca pela ausência de um programa sólido, efetivo e promissor.
Com esta lacuna, os ministros foram praticamente lançados ao léu e passaram a falar dentro daquilo que imaginam como correto, sem uma relação mais afinada com um plano de governo. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, por exemplo, disse que iria demitir 320 servidores de cargos comissionados com a justificativa de "despetizar" o setor, causando um alvoroço nas bases com a promessa velada de caça às bruxas. Afeita a polêmicas, a ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos, soltou na semana passada a pérola "menino veste azul e menina veste rosa", numa clara alusão ao comportamento sexual das chamadas minorias de gênero.
Por sua vez, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, saindo da esfera do discurso e passando para a das ações, anunciou a criação da Secretaria da Alfabetização e da Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares, o que também despertou certo incômodo nos educadores. O super-ministro da Economia, Paulo Guedes, porém, é quem está carregando o maior fardo nestes primeiros dias, pois tem de viabilizar a reforma da Previdência e conquistar votos no Congresso Nacional.
Com tamanha matéria-prima disponível, a Imprensa se aproveitou para confrontar situações e estabelecer paralelos entre o velho e o novo, sem, no entanto, sair do campo das especulações. Neste primeiro momento, Bolsonaro vai precisar de muita habilidade para controlar, sem tirar a autoridade, a língua de seus ministros.