Durante os meus anos de vida, tenho assistido a diversas posses de presidentes da República. De modo que, não me surpreendem algumas das barbaridades que, preocupados unicamente com as câmeras, são cometidas pelos encarregados da cerimônia.
Em país de analfabetos, de fato, não deve causar espécie ouvir-se do presidente do Senado a ordem para que a "mesa fique em pé" para ato solene, nem que "a mesa possa sentar-se", ao seu término. Nem mesmo a ordem para a leitura da ata "de pé", dadas particularidades daquele senhor, deve soar tão chocante!
Assustou-me, isto sim, a incoerência do novel presidente da República, que, ao que parece, esquecendo-se da magnitude do cargo que passou a ocupar, ainda se sente em campanha, repetindo as frases decoradas naquela ocasião.
Com efeito, embora faça questão de proclamar - seguindo o ramerrão comum aos que o precederam -, que tem por meta unificar o país, dividido, mais uma vez, após o pleito passado, sua fala teve por público, unicamente aqueles que proporcionaram os votos que o elegeram.
Ao fechar o seu governo para "socialistas", como são conhecidos os mais de quarenta milhões que não comungaram com os seus argumentos, demonstra que pretende qualquer coisa, menos a unificação do Brasil. Desde o discurso, ao contrário, divide a nação entre os que o apoiaram, e "os outros".
Em outra passagem, deslumbrado com a presença do primeiro ministro israelense na festividade, ele que já havia tornada pública a "irmandade" dos dois países, enuncia que pretende valorizar "a nossa tradição judaico-cristã". Humildemente, confesso que não sabia dos meus laços de fraternidade com os israelenses, e, muito menos que tínhamos uma tradição "judaico-cristã".
Ao contrário, pelo que aprendi - e posso estar errado -, aquele povo ainda espera a chegada do verdadeiro Messias, pelo que descarta o Cristo. Sobre a posse de armas, diante do descalabro, calo-me solenemente!
Embora isso, torçamos para que de certo!