É bem sabido que um dos principais problemas do Brasil está no ensino - gosto de separar os vocábulos educação e ensino, sendo que o primeiro refere, no meu entender, a uma obrigação de pais ou responsáveis com as crianças, e o segundo, da escola com os cidadãos - haja vista o pífio desempenho do país nos testes internacionais.
Nas rodas de discussão sobre como resolver os problemas evidentes que o Brasil enfrenta, seja de saúde, segurança, saneamento básico e afins, sempre que alguém vai um pouco além, acaba chegando no ensino e tem razão, mas muitos não se apercebem que o mau ensino é muito mais grave do que as notas baixas dos testes internacionais: as escolas estão formando crianças que não têm um mínimo de conhecimento, as quais se tornam adultos que obtêm graduação, mantendo essa falta, mas com habilitação para exercer a profissão correspondente.
Estatísticas mostram que cerca de 50 % dos graduados brasileiros são analfabetos funcionais, o que significa que não conseguem expressar fielmente seus pensamentos num texto escrito, nem tampouco interpretar corretamente um texto de terceiros. Triste e lamentável realidade.
Mas onde está o mais grave problema? Esses diplomas todos carregam consigo uma fé pública, baseada na qual o mercado contrata tais graduados para cuidar dos assuntos a que referem suas formações: daí podem vir e têm vindo as mais variadas ordens de problemas que se possam imaginar.
São contadores que não sabem fazer contabilidade, arquitetos que não conseguem projetar, engenheiros que não podem produzir ou construir, dentistas que não sabem cuidar dos dentes, médicos que não sabem tratar de seus pacientes, professores que não podem ensinar, etc. e, pior, a cada dia que passa, mais e mais instituições de ensino surgem para, a cada semestre ou ano, despejar novos formados, sem nenhuma condição, no mercado.
A escola finge que ensina, o aluno finge que aprende e que se torna capaz, de fato, e assim seguimos como se o Brasil pudesse dar certo desse jeito.