Ao longo desta semana, matérias vêm sendo divulgadas sobre a militarização do ensino brasileiro. Promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PSL), as articulações já começaram com o depoimento, na quinta-feira, do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que anunciou que apoiará os municípios interessados em militarizar suas escolas, que, passariam, a partir de então, a ser administradas pela Polícia Militar ou pelo Exército.
Segundo o novo governo, escola militar é um dos caminhos para melhorar o ensino brasileiro. Disciplina, ordem e civilização conduzirão uma educação, segundo ele, de qualidade. Mas será que este ensino disciplinar - sem prioridade para o diálogo, a criticidade, o debate, e, principalmente, reflexões e ampliação da visões de mundo, que são premissas de um ensino compromissado, em primeiro lugar, com a autonomia, o protagonismo e a formação cidadã dos alunos - contribuirão para colocar o ensino brasileiro em posições menos desfavoráveis nos rankings mundiais?
A educação, de fato, precisa de melhorias, e não são poucas. Mas aqueles que perpassam os cenários escolares sabem que, dentre esses requisitos, o setor necessita de investimentos, e não só em infraestrutura, mas, também, na formação, valorização e reconhecimento contínuos dos educadores; na atenção especial aos alunos, respeitando suas diferenças, regionalidades e especificidades; e no apoio constante aos gestores responsáveis pelo ensino. Trata-se de um trabalho em conjunto, que conta com apoio da família e comunidade escolar. Educação tem um duplo sentido, o voltado aos conhecimentos científicos, que cabem à escola; e dos valores sociais e morais, vindos do ambiente, em especial, familiar; e dos aspectos históricos e culturais, apreendidos no convívio em sociedade.
Educação envolve humanismo, solidariedade, respeitabilidade, e não especificamente, padronização. Pauta-se na transformação do ser humano, para que este se sinta capaz de transformar realidades. O ensino militar seria o caminho? Eis a questão! Cabe a nós acompanhar os próximos passos no cenário educacional, que é mutável, e, a cada ano, novas surpresas nos reservam.