Com o fim da duradoura predominância do governo de centro-esquerda no Brasil, chega o momento de encerrar esse ciclo. Agora, um novo caminho se abre, com mudanças tão drásticas quanto ao do pós-pacto democrático de 1988. O que está em jogo hoje, pelos discursos do novo presidente Jair Bolsonaro (PSL), é a rompimento desse pacto, que firmou a redemocratização no país e consolidou direitos importantes - mas com princípios sociais-democratas.
Nesta era do liberalismo econômico, teremos a desconstituição de direitos, com a reforma trabalhista e o fim do Ministério do Trabalho, principalmente. Este é o primeiro governo de direita desde a redemocratização. Por essas e outras, o momento é de desconstrução e torcemos para que o novo esquema de governo tenha sucesso, embora seja impossível prever, já que ainda não existe de forma clara, sequer, como será o relacionamento entre o Executivo e Legislativo. O que virá dessa junção entre liberalismo econômico e conservadorismo de valores e princípios? Teremos que esperar, mas a reconstrução já começou.
Assim como essa relação ainda é incerta, também gera desconfiança alguns apontamentos feitos pelo presidente no dia 1º. Falar em "acabar com o socialismo", que de fato nunca ocorreu na prática aqui no Brasil, parece mais uma estratégia de se criar um espantalho que não existe para fortalecer o vínculo com seus eleitores. Também falar em "acabar com o politicamente correto" parece algo muito vago. Afinal, isso teria relação com ter uma sociedade mais tolerante, sem racismo e homofobia, por exemplo? Ou o contrário disso? Como quase sempre, as vagas palavras de Bolsonaro deixam muitas dúvidas na cabeça dos brasileiros. Talvez não daqueles que entoaram o coro de "Beija!", "Beija!", Beija!", voltado ao presidente e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro; além de outro grito de guerra como - "Mito", "Mito", "Mito" - antes mesmo do chefe do Executivo ter tempo para apresentar alguma medida importante para o Brasil. Mas, os fanáticos não contam. O restante da população deve estar preocupado, porém, esperançoso. Afinal, é o que resta.