O roubo e furto de carros e motos permanecem em patamares bastante elevados. São cotidianas as notícias dando conta de quadrilhas especializadas nesses crimes. E, muitas vezes, a prática do roubo é acompanhada por um rastro de sangue.
Há alguns anos houve uma grande apreensão de peças de motos em lojas especializadas nesse tipo de produto. Na época, um dos comandantes da operação afirmou em entrevista, que as lojas tinham "cheiro de sangue" das pessoas mortas e feridas nos roubos de motos.
Tal afirmação não foi exagero do oficial. Existe uma relação direta entre roubos de motos e carros com os receptadores do produto do roubo. E, muitas vezes, nesses assaltos, perdem-se muito mais do que bens materiais. Pessoas são feridas ou mortas em parte dessas ações praticadas por delinquentes que só roubam por saber que existem aqueles que pagam pelo produto. Portanto, a responsabilidade pelas pessoas feridas ou mortas nesses assaltos deve ser imputada não apenas aos assaltantes, mas também aos receptadores.
Mas, o terrível ciclo não se encerra nesses dois atores. Existe outra face menos perceptível que também é portadora de uma boa dose de responsabilidade em relação aos inúmeros casos. Muitas pessoas que esbravejam contra a violência e contra as inúmeras ocorrências de roubos de carros e motos, muitas vezes fazem uso de lojas e desmanches que trabalham com mercadorias de procedência suspeita. Acreditam fazer um bom negócio ao comprar uma peça de moto ou de carro por um preço menor do que o cobrado em lojas. Essas pessoas não percebem (ou não querem perceber) que é justamente a sua decisão de comprar nesses estabelecimentos e obter uma aparente vantagem o principal motivador dessa deplorável engrenagem.
Apenas uma mão aperta o gatilho, mas as outras desenham o cenário. E o enredo da história é simples: alguém rouba porque o receptador paga por esse produto e o receptador paga por esse produto porque alguém vai comprá-lo. É isso.