Compomos uma sociedade repleta de pessoas que gostam de seguir apenas uma lei: a famosa "Lei de Gerson".
Gerson foi um dos craques da maravilhosa seleção de 70. Com o sucesso e a projeção conquistados com o futebol, ele virou garoto propaganda. A tal "Lei de Gérson" teve origem em uma propaganda que o jogador fez para os cigarros Vila Rica no ano de 1976. Ele fala que o cigarro é "...gostoso, suave e não irrita a garganta". Em seguida diz: "Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro?". Para finalizar ele profere a frase que denomina a tal lei: "Gosto de levar vantagem em tudo. Certo?".
Obter vantagem é estar em condição privilegiada em relação a outras pessoas. Ou seja, a vantagem de alguém significa, necessariamente, a desvantagem de outro alguém.
É claro que nem toda a vantagem é desonesta. O corredor que está mais rápido que os outros, por exemplo, está em vantagem e, caso não tenha usado de nenhum recurso espúrio, tal vantagem é legitima.
No entanto, o que temos presenciado em nosso país é o princípio do "vale tudo" para se obter vantagens. E isso tem sido constante nos diferentes âmbitos da sociedade. Não é por acaso que se consagrou o tal "jeitinho brasileiro". Seja no espaço público ou privado, os maus exemplos se multiplicam.
O avanço da tecnologia e a intensa disseminação da informação estão generalizando algumas práticas que antes eram mais características dos grandes centros urbanos. Golpes de estelionatários que ficavam mais circunscritos aos centros urbanos, já são praticados com bastante frequência também nas pequenas cidades do interior.
Todo golpe conta com dois ingredientes indispensáveis para seu êxito: esperteza e lábia de quem o aplica e a ganância por dinheiro fácil de quem é vítima. A perspectiva do ganho fácil, a disposição de se obter vantagem em tudo e em qualquer circunstância, mesmo que num primeiro momento pareçam interessantes, acabam por contribuir para a consolidação de um a prática da qual depois seremos vítimas.