O sol se põe. Inicia-se o anoitecer. Os moradores são tomados pelo sentimento de aflição. Esperam mais uma noite e madrugada de apreensão e sofrimento.
Aos poucos eles vão chegando, à pé ou de veículos. Aglomeram-se na rua e, sem qualquer critério, estacionam os carros. Aos cumprimentos, os capôs traseiros são abertos. No local destinado ao transporte de bagagens, uma caixa de som adaptada ao espaço e, de lá, uma música alta e forte é deflagrada.
Veículos de luxo, lotados, desfilam. Seus condutores parecem não se importar com as pessoas pulando sobre o teto e capô. Parecem estar eufóricos e alegres. Motos potentes são identificadas pelos "roncos" dos escapamentos. Tomadas pela bebida e drogas, os comportamentos tornam-se frenéticos, por vezes imorais, atos esses que, em situação normal, principalmente as mulheres, com certeza, não adotariam.
Formado está o que costumam denominar "pancadão". Evento que, na maioria das vezes, são organizados por redes sociais e ocorrem em via pública. Diversão é o que se promete e, em busca disso, muitos adultos e adolescentes comparecem. Se tivessem a noção dos reais motivos de tais encontros e quem os frequenta, penso que muitos não atenderiam ao chamado.
Não há critérios para participação, regras de conduta a seguir e nem tampouco garantia de segurança. Cria-se um ambiente propício para a desordem e a prática de crimes.
A grande aglomeração de pessoas dificulta a fiscalização e a ação da polícia, proporcionando aos traficantes a livre venda de seus produtos.
Numa ação repressiva policial, são eles os primeiros a fugir, utilizando os exaltados frequentadores como escudos. Após intensa resistência, com arremesso de garrafas e pedras contra os policiais, a multidão se dissolve, as pessoas se retiram, o barulho é interrompido e a paz se restabelece.
Algumas pessoas são presas, restando, além de preservativos usados e embalagens de drogas jogadas no chão, os carros de luxo e as motos potentes, esses produtos de roubo.