Aconteceu na cidade de Jaciara (MT): Lindomar Lourenço Martins, 46, jardineiro, funcionário da prefeitura, aproveitou a poda da grama da sede municipal para enviar uma mensagem à população. Com muito cuidado, recortou na grama as palavras "Felis Natal", assim mesmo, com S.
Bastou o erro de grafia para ser ridicularizado nas redes sociais por gente do país inteiro, que não o conhecia e geralmente não se importa com os desafios que o acesso à educação formal representa para pessoas como Lindomar. Segundo reportagens sobre o fato, o bem intencionado jardineiro cursou apenas até o terceiro ano do ensino fundamental.
Lindomar não é o único brasileiro que apresenta dificuldade para lidar com a forma escrita do idioma. A edição 2018 do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf/2018) mostra que, de cada dez brasileiros, três apresentam alta dificuldade no uso da leitura e da escrita em situações cotidianas. Na população com idade entre 15 e 64 anos, 44% não estudou além do Ensino Fundamental, que consiste no 5º ano pela classificação atual, e 21% sequer alcançou este grau de escolaridade.
O Portal da Transparência da União mostra números que podem explicar, ao menos parcialmente, as causas do problema. Dos mais de
R$ 82 bilhões em despesas executadas pelo Ministério da Educação (MEC) em 2018, apenas 6% foi destinada ao programa de Educação para Jovens e Adultos (EJA). Os gastos do MEC em 2018 foram R$ 12,3 bilhões menores que no ano anterior. Considerando que Educação é investimento social, e não despesa, a redução do orçamento da pasta e o baixo investimento no EJA, revelam o pouco apreço do governo atual para com a formação escolar dos brasileiros. Um enorme erro, sacramentado por meio de leis e decretos escritos com rigorosa correção gramatical.
Que em 2019 haja muito mais Lindomares, dispostos a correr o risco de errar ao escrever coisas certas, do que burocratas que impõem coisas erradas corretamente escritas. Feliz natal.