A pequena Abadiânia fechou para balanço. E, ao que tudo indica, no fim das contas, pode decretar falência. Vivendo da mediunidade de, João de Deus viu se esboroar sua economia, quando o líder máximo da comunidade passou a experimentar as agruras do cárcere.
Segundo se lê, os fiéis, que em número imenso freqüentavam o "templo", diminuíram visivelmente as visitas. É sobre eles, os adeptos às práticas que ali se realizavam, que se cinge este breve comentário. Dono de poderes sobrenaturais para os que acreditam, ou, quem sabe, "efeito placebo", para outros, a verdade é que suas pregações e atos infundiam fé exacerbada nos que procuravam sua ajuda, não poucas vezes se ouvindo dizer de milagrosas curas. Isso fez com que ganhasse espaço, ultrapassasse fronteiras, passasse a ser fenômeno global.
Pois bem, noticiadas inúmeras cenas de lascívia; tido como estuprador de várias mulheres; ao tempo em que verdadeiro o denunciado - o que só poderá ser confirmado após os processos apropriados - teria amputado a parte inocente de almas que nele depositaram ampla confiança, e, ao mesmo tempo, deixado sem norte aqueles que a ele acorriam, alguns como a última esperança.
Falho por natureza, talvez ao homem se possa usar do discurso na tentativa de minimizar-se a hediondez do procedimento!
Ao líder, no entanto, ao que recebeu, quem sabe, dom raríssimo, isso não se pode aceitar! Deve ser ele impoluto; imune a qualquer ataque; cultivar virtudes; e, no caso, principalmente, colocar em patamar o mais elevado a referida confiança.
Identificando-se, em tempos atuais, o Brasil, por aqueles que, no campo político, tem pisado sobre tais requisitos, usando do prestígio aferido para malandragens as mais diversas,, infelizmente, conseguiram adeptos em todos os campos.
João de Deus se diz inocente. Pode até, em final - o que por ora extremamente duvidoso - assim o demonstrar. O dano, no entanto, está feito. O digam aqueles que visando a cura, não têm mais para onde se voltar!