Toda situação mal resolvida pode um dia vir à tona, mas, antes da explosão, sempre fica uma certa expetativa no ar. É o que vem acontecendo com a categoria dos caminhoneiros que, após a longa greve iniciada em 21 de março deste ano que parou o país, começa a dar leves sinais de ameaça de uma nova paralisação no futuro, talvez próximo. Ainda não há motivos para grande alarde, mas em se tratando de um ato que prejudica a população, incluindo o transporte de medicamentos de alto custo extremamente necessários para os pacientes, é importante não deixar o assunto esquecido, a fim de evitar que sejamos pegos de surpresa novamente, como já ocorreu neste ano.
Na greve de março, as principais reivindicações foram o corte de impostos, subsídio ao diesel, tabelamento de frete e até pedido de intervenção militar entrou na jogada. Enfim, o diesel foi reajustado em 13%, porém, o governo não está fazendo valer o tabelamento de frete de carga acordado com os caminhoneiros - embora tenha se tornado lei. Para piorar, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem dificuldade em realizar a fiscalização de quem tenta burlar a determinação. As grandes empresas de logística, por exemplo, pagavam um preço para o frete, mas os caminhoneiros queriam aumento desse valor, o que não era viável às companhias, valendo mais a pena comprar um caminhão, contratar o motorista e estipular preço próprio. Essa maneira de driblar a lei beneficia as grandes empresas, sobrando o prejuízo para as pequenas.
Recentemente, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em suspender a aplicação de multas pelo descumprimento dos preços mínimos do frete rodoviário, além da variação do preço do diesel nos últimos meses, deixaram os caminhoneiros muito insatisfeitos. Agora, a Federação dos Caminhoneiros de São Paulo (Fecan-SP) aguarda uma reavaliação por parte da Suprema Corte.
Dentre tantas demandas que o STF tem para resolver em 2019, certamente essa questão está na lista e deve ser resolvida rapidamente, caso contrário, aumenta-se a chance de termos de encarar outra greve, como já sinalizou o sindicato.