O futuro ministro da Saúde, o deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), afirmou ontem que o programa "Mais Médicos" era uma parceria entre o PT e Cuba, e não entre dois países, e que ainda precisa se reunir com o governo atual para definir o que será feito após os profissionais cubanos deixarem o Brasil. "Esse (a ruptura) era um dos riscos de se fazer um convênio e terceirizar uma mão de obra tão essencial. Me pareceu muito mais um convênio entre Cuba e o PT, e não entre Cuba e o Brasil, porque não houve uma tratativa bilateral, mas sim uma ruptura unilateral (por parte de Cuba)", disse ao deixar o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Brasília, pouco após ser anunciado como futuro ministro da pasta.
Segundo Mandetta, a primeira medida da equipe de transição será a de se reunir com o atual governo para entender os impactos da saída dos cubanos do programa e conhecer as possíveis soluções. "Estamos aguardando o momento certo de fazer esse diálogo e saber quais são as medidas do governo".
O futuro ministro defendeu que seja feita uma avaliação dos profissionais, mas afirmou que é possível realizá-la enquanto o médico estiver em serviço. "Há a possibilidade de fazer avaliação em serviço, de fazer uma série de medidas onde você pode, ao mesmo tempo, dar garantias da qualidade daquele profissional. O objetivo é esse. Quais ferramentas serão utilizadas vai ser uma discussão com o setor", destacou. "Não pode haver relativização: não existe vida do interior e da capital, existe vida. Cada brasileiro, desde a comunidade indígena mais remota até os que estão nos grandes centros, precisa saber que alguém checou as informações e autorizou aquele profissional a tratar do bem maior que uma nação pode ter, que é a vida de seus habitantes", finalizou.