Há mais de dois anos, neste mesmo espaço, dizíamos que o transporte de passageiros por aplicativo - tipo Uber, 99Taxi e Cabify - era a profissão do momento. O tempo passou e esta atividade continua crescendo - 38% em comparação ao ano passado no nosso país.
A profissão já é um fenômeno em aceitação e continua incomodando a quem já trabalha há anos com transporte de passageiros. Acontece que em menos de meia década de operação, a atuação nacional não para de crescer e já tem mais de um bilhão de corridas desde que desembarcou no Brasil.
Existem dois lados: para quem está com dificuldades para pagar as contas no fim do mês, o transporte por aplicativo é uma opção descomplicada, já que, ao contrário dos taxistas, não é preciso apresentar uma pilha de documentação, nem realizar curso algum - basta se cadastrar e ter a documentação do carro e a Careira Nacional de Habilitação (CNH) em dia. Por outro lado, os "uberistas" são concorrentes diretos dos taxistas, categoria esta que amarga uma queda de até 80% nas viagens em algumas cidades, além da desistência de muitos profissionais da área.
É preciso equilíbrio e controle no número de profissionais por município, além da exigência igualitária para atuação legal das duas atividades. Assim, a concorrência passará a ser mais justa e a nova profissão vai parar de ser vista como uma "pirataria moderna" pelos velhos profissionais de transporte que estão na praça.
As prefeituras precisam dar atenção especial ao assunto. Se sentindo injustiçada, após aprovação na câmara do projeto que regulariza o transporte por aplicativo em Mogi das Cruzes, na semana retrasada, o Sindicato dos Taxistas Autônomos de Mogi das Cruzes solicitou que a proposta seja votada novamente, de forma que iguale os direitos e deveres das duas categorias. Já fica a dica para as demais cidades da região que tramitam a regularização da profissão - Itaquá, Ferraz e Poá -, para que os vereadores estudem bem o assunto, que façam reuniões com as duas categorias e que se chegue a um consenso, de forma que ninguém saia totalmente prejudicado nem beneficiado.