A nova tecnologia veio para ficar. Ainda que alguns torcessem o nariz e avisassem que não daria certo, a nova tecnologia ganhou o coração dos líderes políticos.
Ela pegou de surpresa a mídia tradicional e os jornalistas. De repente perderam o posto de intermediação entre a fonte e o público em geral. Era um perigo, diziam, uma vez que, com a nova tecnologia nas mãos, os políticos poderiam mentir, inventar, manipular à vontade uma vez que não teriam pela frente um grupo de valorosos repórteres para reperguntar, checar dados, contrapor fatos e outras inconveniências. Com a nova tecnologia tudo ficava mais fácil, direto, barato e eficiente na visão dos políticos. Uma vez quebrado o paradigma, não tem volta. Ou há uma adaptação a nova realidade ou a derrota.
O presente sempre derrotou o passado. A população ficou à mercê das comunicações oficiais e o contraditório não encontrava o mesmo espaço. Com isso, o partido que chegasse ao poder teria mais condições de lá permanecer por um tempo indefinido graça a comunicação direta entre os gestores e o povo. A nova tecnologia nasceu nos Estados Unidos e de lá se propagou rapidamente. O presidente americano usou e abusou da oportunidade de falar diretamente e a transformou em um canal para infundir confiança na população.
Na Europa o sucesso da nova comunicação foi ainda maior, O líder brasileiro não deixou por menos. Em pouco tempo se adaptou a nova tecnologia, formatou um departamento de marketing político e passou a usar a mesma metodologia. Falar diretamente com o povo. Treinou uma linguagem simples, que qualquer pessoa podia entender, e partiu para a polêmica atacando os seus adversários.
A Voz do Brasil, como ficou mais conhecida nasceu nesse contexto do nazi-fascismo de um lado, sovietismo de outro e do programa de recuperação americana, o New Deal. A história ensina que uma das características do populismo é a comunicação direta entre o líder e o povo em geral.