A situação dos comerciantes e frequentadores do Largo 1º de Setembro, em Mogi das Cruzes, e dos moradores da Vila Urupês, em Suzano, é comum para a maioria das pessoas: o convívio com a falta de segurança. Longe de ser exclusividade dos dois locais, esse sentimento de insegurança invadiu praticamente todas as regiões, das grandes metrópoles aos mais isolados pontos na zona rural. Ninguém na atualidade vive o pleno conforto e tranquilidade de caminhar pelas ruas sem um pingo de preocupação, alheio ao iminente perigo de um ato de violência.
Há registros, divulgados com frequência pela Imprensa, de casos ocorridos em todos os cantos. São assaltos, roubos, agressões, acidentes de carros e atropelamentos, além de outros menos comuns. A simples presença de moradores em situação de rua perambulando pelas praças ou de jovens visivelmente drogados circulando nas calçadas já é motivo para deixar as pessoas com a sensação de ameaça. De uma forma cruel construída pelo estereótipo do "outro", todos elementos representam o mal e, por isso, devem ser evitados.
Existe a preocupação por parte da polícia e dos órgãos governamentais em atuar no sentido de coibir ações que contrariem o bem estar geral. Ente elas, estão a de aumentar o número de policiais nas ruas e a de ampliar condições inibidoras, como melhoria na iluminação pública e vigilância, além de investidas para acolher grupos que oferecem riscos à população.
Entretanto, não basta imaginar que a solução para o problema passa por uma atuação mais ostensiva da polícia ou por ações assistencialistas encabeçadas pelo governo e por entidades autônomas. O desequilíbrio entre as classes é bem mais profundo - vem sendo ampliado há décadas e solidificado por uma imposição social e econômica.
O trabalho para corrigir esse desvio do senso de justiça pelo recorte da igualdade entre as pessoas é árduo. Construir um mundo mais equilibrado e embasado pelo respeito mútuo é tarefa que exige tempo e a execução de atos permanentes, que não podem oscilar de acordo com cada governo.