Vários estudos existem no sentido de procurar identificar o perfil de um homicida. Alguns atribuem a conduta como resultado de causas sociais e ambientais. Outros, ao distúrbio de uma mente humana. Me lembro de um caso ocorrido em novembro de 2003, em que de dois jovens estudantes de classe média alta, Felipe e Liana, ambos respectivamente com 19 e 16 anos, sem o conhecimento dos pais, se dirigiram a uma área rural de um município da grande São Paulo a fim de acamparem.
Ao invés de um camping, onde acomodações e segurança se fazem presentes, preferiram um local cercado por sítios, com várias construções abandonadas. Um local totalmente vulnerável e impróprio, o que, talvez, teria motivado a omissão de tal pretensão aos pais, que certamente reprovariam. O sentimento de liberdade, aventura e ousadia falaram mais alto. Liana, se tinha dúvidas sobre segurança, manteve a decisão acreditando, talvez, que Felipe, um jovem adulto e fisicamente forte, iria protegê-la. O que deveria ser um feliz final de semana se tornou um episódio de extrema aflição, angústia e dor.
No local, o casal foi rendido por dois criminosos, de apelidos Pernambuco e Champinha, sendo esse o mais violento e da mesma idade que Liana. Mantidos em cárcere, após agressões físicas e psicológicas, Felipe foi, no segundo dia, assassinado por Pernambuco com um tiro na nuca e Liana, após cinco dias de humilhação e submetida a estupro coletivo, morta por Champinha a golpes de faca. Todos que participaram do crime foram condenados, menos Champinha, que, por ser adolescente, foi internado na Fundação Casa. Ganância e oportunismo, potencializadas pela personalidade violenta e impulsividade de todos, principalmente de Champinha, foram determinantes para a prática do crime.
Os mesmos sentimentos que nortearam a conduta do assassino da jovem Rayane, causando enorme consternação junto à sociedade, em especial a do Alto Tietê, e profundo sofrimento a amigos e familiares. A esses a nossa solidariedade.