Uma das declarações mais ousadas, para uns, e alucinadas para outros, do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) em toda sua vida pública é a ideia de extinguir o Ministério do Trabalho que, segundo ele, será incorporado a outra pasta. Pelo lado esquerdista, o temor é em relação ao suprimento dos direitos trabalhistas e maior dificuldade para a empregabilidade.
O assunto é polêmico, mas o futuro presidente afirma que o trabalhador brasileiro e, principalmente o desempregado, não precisam de um ministério, ainda mais em se tratando de uma estrutura quase inoperante, e que ainda conta com cargos políticos e nomes despreparados para conduzir a pasta.
O que é certo mesmo é que o povo precisa, principalmente a parcela que encontra-se desempregada, é pagar menos imposto. Assim, as empresas teriam mais capacidade para empreender e, logo, maior poder de contratação. Pensando em reduzir o custo da União, com salários altos, viagens e cargos de confianças, o norte parece ser positivo. A dúvida que fica é se ele fará como o presidente Michel Temer (MDB) que, por exemplo, extinguiu o Ministério da Cultura, mas voltou atrás e o reabriu.
Segundo Bolsonaro, 18 ministérios no país é mais do que o suficiente, sendo que esse número pode chegar a 15. Hoje o Brasil tem 29 pastas ministeriais. Se for para diminuir os gastos, o que, consequentemente irá ajudar o empregado e o empresariado, a proposta merece uma chance, principalmente se tratando do Ministério do Trabalho, quase sempre no centro de escândalos no nosso país. Temos casos recentes, como os deputados Jovair Arantes (PTB), Roberto Jefferson (PTB) e Paulinho da Força Sindical (SD), investigados e que respondem à Polícia Federal justamente por tramoias relacionadas a essa pasta.
Se for pelo fim das negociatas com empresas e por mais liberdade para empreender, ótimo, um caminho a menos para a corrupção. Aguardemos, pois, sendo assim, o efeito poderá ser cascata. Sem o Ministério do Trabalho, faz sentido ter uma Justiça do Trabalho? Essa é outra pauta para o futuro presidente.