Estudos demonstram uma realidade que os nossos jovens já conhecem muito bem: a falta de emprego. O desemprego entre jovens de 15 a 24 anos é três vezes e meia maior do que entre os trabalhadores considerados adultos, com mais de 24 anos. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa de desemprego entre jovens chega a 12,7% no mundo.
No caso do Brasil, o índice atingiu no fim de 2017 a maior taxa em 27 anos, com 30% das pessoas de 15 a 24 anos em busca de uma ocupação. Os dados são do estudo Tendências Globais de Emprego para a Juventude 2017. Nossa taxa é mais que o dobro da média mundial, que é de 13,1%.
Mesmo considerando que o país exibe uma persistente redução nos índices de natalidade, somos ainda um país com muitos jovens. Temos aproximadamente 15 milhões de adolescentes cujos níveis de renda e escolaridade limitam suas condições de desenvolvimento e comprometem a construção de seus projetos pessoais e o futuro do país.
É essa perversa realidade que nos ajuda a compreender, por exemplo, porque o Brasil é um país cada vez mais marcado pela violência. As estatísticas não deixam dúvidas. Os que mais matam e os que mais morrem, como resultado de ações violentas, são jovens.
O jovem é um indivíduo ainda em formação e o seu desenvolvimento pleno depende das condições que ele dispõe para tal. Dos jovens que iniciam o Ensino Médio, apenas a metade o concluem. Nos dias de hoje, a baixa escolaridade é, geralmente, sinônimo de baixa empregabilidade.
Temos, portanto, uma imensa dívida com este segmento da população. A mudança desse quadro está diretamente condicionada ao processo de implementação de políticas públicas que criem um ambiente propício para que os jovens vivam com dignidade. As ações voltadas para a Educação, Saúde, Cultura, formação profissional, lazer, esporte, renda e trabalho devem estar inter-relacionadas, pois é esse princípio que permite reconhecer o jovem como um ser social pleno.
No caso das políticas sociais de Educação Básica, qualificação profissional e acesso à renda e ao trabalho, elas devem buscar promover a sintonia entre os interesses da sociedade e as vocações econômicas locais e/ou regionais.
Nunca é demais lembrar que nível de instrução e renda são fatores determinantes para o processo de inclusão social. Só assim a sociedade estará se preparando para enfrentar seus grandes desafios.