A queda no volume de exportações no Alto Tietê, revelada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, conforme matéria publicada no domingo nos jornais do Grupo Mogi News, coloca a região dentro de um cenário normal. A retração constatada não é exclusividade local, mas apenas faz parte de um quadro mais amplo. Indicadores recentes de diversos setores da Economia apontam para a mesma direção de baixa, como nas áreas de veículos e de gêneros alimentícios.
De acordo com a análise do professor de Administração de Empresas e Ciências Contábeis da Faculdade Piaget, José Marcos de Oliveira Carvalho, ouvido pela reportagem, dois fatores podem ter influenciado diretamente na redução das vendas: a variação do dólar e a crise econômica vivida pelos países compradores, principalmente os sul-americanos, como a Argentina. De fato, tradicionalmente, a região portenha é forte compradora de produtos brasileiros, mas atravessa um período crítico e, claro, limitou as importações, o que refletiu na balança comercial.
Outro ponto importante é a evolução da competitividade do mercado produtor representado pelos países asiáticos, como China e Coreia, cujo fator diferencial é a redução dos preços, aliada à mão de obra barata e ao avanço da tecnologia. As empresas brasileiras encontram dificuldades em modernizar a linha de produção pela falta de recursos para investimentos, além da sobrecarga de impostos gerada pela contratação e manutenção de funcionários. Com essas características, a competição é bem desfavorável para os concorrentes nacionais.
Para minimizar um pouco a tendência de retração dos índices de exportações no futuro, fica evidente a necessidade de uma participação mais intensa dos governos locais, que precisam encontrar meios para proporcionar a estabilidade das indústrias existentes e ampliar a oportunidade para o surgimento de outras, com facilidades e benefícios fiscais. Em um mercado internacional cada vez mais disputado, a criatividade comercial proporcionada por um conjunto de ações é ainda a melhor estratégia para a sobrevivência.