No dia 18 de agosto de 2018, um comerciante do município de Pacaraima, (RR), foi roubado e agredido por cerca de quatro venezuelanos. A ação gerou uma onde de comoção entre os moradores, os quais, munidos de paus e pedras, passaram a atacar os acampamentos dos refugiados. Tendas e bens pessoais foram destruídos e incendiados, fazendo com que cerca de 1,2 mil venezuelanos, entre homens, mulheres e crianças, cruzassem a fronteira retornando para ao país.
Desde o ano de 2016, venezuelanos, fugindo de uma crise que aflige o país, gerada por equívocos dos governantes, passaram a se refugiar em países vizinhos, como a Colômbia, Equador e Brasil, tendo o último a cidade de Pacaraima como o primeiro município após a fronteira e, portanto, recebendo um grande contingente de imigrantes.
Com uma estrutura para atender a cerca de dez mil habitantes, a administração municipal se viu diante de uma grande dificuldade, pois, além de ocuparem os espaços públicos com a montagem de acampamentos, os imigrantes passaram a fazer uso dos serviços públicos, especialmente os de saúde, gerando um aumento na demanda e, consequentemente, custos na manutenção em infraestrutura.
Não obstante a tal fato, além das dificuldades relativas a emprego, outra preocupação apontava na ótica da administração: a segurança pública. Quanto maior a concentração de pessoas em determinado lugar, maior a possibilidade de conflito de interesses e, portanto, maior deve ser a presença policial.
Em que pese as dificuldades apontadas, em situação pior encontram-se os venezuelanos, vítimas de uma crise econômica, social e política sem precedentes, o que levou o país a uma hiperinflação, desemprego, fome, violência, fazendo com que milhares de pessoas, deixando bens, emprego e familiares, fugissem, submetendo-se às agruras e riscos em países estranhos.
Considerando que o crime é comportamento humano e não étnico, empatia e solidariedade é o que precisamos em momentos críticos como esse.