Em 5 de outubro de 1988 era promulgada a nossa constituição republicana, a chamada "constituição cidadã", fruto de uma Assembleia Nacional Constituinte, à época presidida pelo Deputado Ulisses Guimarães, que na tarde daquele cinco de outubro a intitulou como "o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil";
Em suas palavras dizia: "Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira, desbravadora. Será luz, ainda que de lamparina, na noite dos desgraçados. É caminhando que se abrem os caminhos. Ela vai caminhar e abri-los. Será redentor o caminho que penetrar nos bolsões sujos, escuros e ignorados da miséria".
Hoje, após já ter recebido cento e cinco emendas, é ainda considerada moderna e atual, abrangente em seu conteúdo e com diretrizes suficientes para as garantias referidas pelo saudoso Ulisses, bastando para tanto ser respeitada e efetivamente colocada em prática. Permitam dizer que é insensato ouvir de alguns que o Brasil precise de uma nova Constituição; aliás, em solo nacional, é comum a elaboração de leis e mais leis nos mais diversos assuntos, quando o que realmente surtiria efeito seria o cumprimento das que existem, o que em nada diverge do que deveria se dar com a Constituição que temos.
Apenas como curiosidade, o Brasil, desde sua independência, já teve oito textos constitucionais (1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967, 1969 e 1988) ou como preferem alguns, sete constituições (já que consideram a de 1969 como uma emenda que alterou ao texto inteiro) enquanto que a constituição dos EUA vigora desde o ano de 1789 e pasmem, a da Inglaterra (a chamada Magna Carta) desde 1215; Oitenta e quatro países têm constituições mais antigas do que a nossa e, diga-se de passagem, em expressivo percentual vivem menos crises políticas do que nós, o que nos permite dizer que não precisamos de uma nova constituição, mas sim elegermos cidadãos que realmente tenham compromisso com aquela que temos.