Há divergências gritantes entre as propostas para a área da Educação dos candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), que disputam no próximo domingo o segundo turno da eleição presidencial. Mesmo que ambos afirmem prioridade para a melhoria do ensino, o que é óbvio, a forma como se pretende chegar a esse avanço é mais que nebulosa.
Bolsonaro, por exemplo, aponta como metas a criação de um colégio militar em cada capital e a ressurreição de disciplinas clássicas da época da ditadura, como educação moral e cívica e organização social e política brasileira, como estratégia para recuperar o sentido ético e moral das pessoas, imaginando que isso seria o suficiente para restaurar o senso de honestidade do brasileiro. Já Haddad, que foi ministro de Educação nos governos Lula e Dilma durante sete anos, fala em ampliar investimentos para o setor, passando dos atuais 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 10%. Em tempos de orçamento tão apertado para questões básicas como saúde, segurança e saneamento, aumentar 5% para a Educação significa tirar isso de algum lugar. Na prática, alguém sairia perdendo.
Outra contradição do capitão reformado é a ideia de levar a educação a distância para crianças do Ensino Fundamental das áreas mais remotas, sob o esdrúxulo argumento de que isso ajudaria a "combater o marxismo". Ora, educação a distância requer tecnologia, recurso muito mais carente nos locais distantes. Agora, "combater o marxismo"? Convenhamos... O petista, por sua vez, sugere a revogação da reforma do Ensino Médio feita pelo governo Temer em 2016. Uma mudança radical no sistema de aprendizagem simplesmente pelo critério de adversidade partidária é pouco inteligente. Cabe, sim, uma correção de percurso e adaptações baseadas em estudos de caso e avaliação continuada. Não dá para jogar tudo fora e começar do zero.
De concreto é que o setor viverá tempos difíceis. Com a disputa totalmente polarizada, os primeiros anos de governo serão destinados a construir uma base política. Como diria o professor Raimundo Nonato, "e a Educação... Oh"