O general da reserva, Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), em evento com comerciantes, afirmou que o 13º salario e o adicional de férias são "jabuticabas" que oneram os empregadores. Falou também do já revogado imposto sindical, como encargos que oneram a atividade produtiva nacional. Quanto ao 13º, indagou se as empresas faturam doze meses porque pagar 13 salários? Disse que o Brasil é o único lugar onde quem sai de férias recebe mais do que quando está trabalhando, referindo-se ao terço sobre as férias.
O imposto sindical já foi extirpado pela reforma trabalhista e, com exceção dos sindicalistas, não há apoio popular para seu restabelecimento. Agora, empregado ou patrão que quiser se filiar a um sindicato voluntariamente, vai pagar contribuição associativa. Adversários políticos de Bolsonaro alardeiam o fim do 13º salário e do adicional sobre as férias.
Dois fatores: Mourão era, até ontem, general de exército da ativa. Habituado a dar ordens e falar o que pensa sem qualquer filtro político na caserna. Tornou-se candidato quase que instantaneamente pelo PRTB, do aerotrem, e certamente não é político profissional, cujo discurso é afinado com a maioria do eleitorado. Cometeu um "sincericídio", politicamente incorreto e que beira a conversa de boteco. Em política e em público não se fala o que pensa, mas o que a maioria dos ouvintes quer ouvir naquele momento.
Ninguém minimamente informado acredita que ao eleger Bolsonaro e seu vice, renunciará ao 13º e ao adicional de um terço das férias. Essas são garantias fundamentais individuais asseguradas pela Constituição Federal de 1988, no art. 7º e incisos VIII e XVIII. Não só essas, mas outras garantias estão lá elencadas. São garantias fundamentais do empregado, cláusula pétrea. Para extinção desses direitos é preciso uma nova Assembleia Constituinte e uma nova constituição. Logo para o fim do 13º e do adicional de um terço sobre as férias é necessário muito mais do que o discurso de um candidato a vice-presidente.