Termina hoje o horário eleitoral gratuito, deixando uma marca triste na política brasileira como uma das piores - senão a pior - campanhas eleitorais de todos os tempos. Como sempre, os candidatos substituíram a divulgação das propostas de governo por acusações e denúncias contra seus adversários. Mas desta vez, os pretendentes ultrapassaram todos os limites.
A linha de campanha baixa, que prefere desqualificar o oponente em detrimento da apresentação de um plano de metas e prioridades, mostra, sem margem de dúvida, o nível do comportamento político dos futuros governantes. Por mais que eles fiquem à mercê das estratégias mirabolantes de assessores e marqueteiros, a decisão final da ação é de responsabilidade do candidato. Então, se a campanha chegou ao estágio mais asqueroso, a culpa é do postulante.
O período também serviu para institucionalizar o termo fake news e introduzi-lo no vocabulário das pessoas. Hoje, quase todos sabem sobre a existência de notícias falsas e o quanto isso interfere na rotina da população e na construção da imagem dos personagens envolvidos. A tecnologia proporcionou, por meio de softwares gráficos de alta resolução, a criação de mídias suspeitas, mas com qualidade suficiente para deixar o internauta menos informado com a condição da dúvida sobre a sua veracidade.
Na onda, também foram levados a grande Imprensa e os institutos de pesquisa e opinião. A mídia eletrônica e os veículos impressos de circulação nacional foram colocados na berlinda e questionados quanto a sua imparcialidade. As acusações partem, com frequência, de candidatos que se julgam prejudicados pela notícia. Para desmentir uma informação, é mais fácil negá-la e transferir para a mídia o rótulo da falta de credibilidade e isenção.
Daqui a dois anos, tudo deve voltar e com maior intensidade. Mas é um tempo suficiente para o Superior Tribunal Eleitoral (STE) rever a legislação, atualizá-la e criar mecanismos de investigação e de punição mais eficientes. Caso contrário, os eleitores vão ficar com saudades e achar que as baixarias da campanha de 2018 eram coisa de criança.