Hoje é dia de uma das votações mais inusitadas da história do Brasil e rara também no retrospecto recente no mundo todo. Isso porque temos, segundo os principais institutos de pesquisas de intenção de votos, a extrema direita contra a extrema esquerda - pelo menos no papel -, como principais oponentes.
Tudo indica que o segundo turno, caso houver, será formado pelo candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e o petista Fernando Haddad. Há um grande movimento a favor e contra ambos. Mesmo assim, em alta nas últimas décadas, vemos a queda do PT e uma onda antilulista muito grande. Em outros tempos, o PT também representava a esperança da classe média e até das outras mais abastadas. Já hoje, o que restou são os eleitores (que não são poucos) menos esclarecidos e que dependem de programas assistencialistas, como o Bolsa Família. Isso não significa que Bolsonaro, com uma carreira política quase sem conquistas, represente o candidato ideal para os eleitores da classe alta, universitários e brasileiros do Sudeste e Sul. Ele é apenas um instrumento para derrotar o PT.
O quadro representa a pura incompetência dos outros partidos, que não conseguiram agradar o eleitorado com seus candidatos. Sobrou Bolsonaro. Mesmo assim, sua vitória é quase certa, pelo menos se compararmos com as eleições presidenciais passadas, quando as disputas do segundo turno se mostraram ilusórias, já que até hoje, todos os candidatos que passam para este estágio do pleito na frente das pesquisas, venceram as eleições. Foi assim com Color (PRN) x Lula (PT), em 1989; Lula x José Serra (PSDB), em 2002; Lula x Geraldo Alckmin (PSDB), em 2006; Dilma (PT) x José Serra, em 2010; e Dilma x Aécio Neves (PSDB), em 2014.
Bolsonaro vem crescendo e ampliando vantagem sobre Haddad. É natural que, caso realmente se confirme essas duas figuras na disputa final, os próximos 20 dias serão de comemoração para os bolsonaristas e, mesmo quem não votou nele no primeiro turno deverá passar a apoiar o capitão reformado. A não ser que Haddad seja um ponto fora da curva e protagonize uma inédita virada no segundo turno.