O título do editorial de hoje pode soar engraçado, mas na realidade ele reflete o que foi esses quase 50 dias de campanha eleitoral no primeiro turno. A disputa por eleitores acabou, oficialmente, na quinta-feira, mas no Whatsapp ela segue de vento em popa.
Estamos na era da informação, onde é possível saber pouco de muita coisa, principalmente por meio de redes sociais. Algumas dessas informações são da profundidade de um pires, ou seja, nos dá a impressão de que o conteúdo é robusto, quando, na realidade, é raso. Na campanha eleitoral pudemos ver que a TV e o rádio ainda são importantes, porém não possuem o mesmo vigor de antes da massificação da Internet.
A disputa por eleitores agora é focada na palma da mão, entre o eleitor e o celular. Uma enxurrada de informações e mensagens são bombardeadas a todo o momento. Para se ter uma ideia da magnitude dessa ferramenta, uma pesquisa do Datafolha apontou que os eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) são os que mais utilizam as redes sociais. O levantamento ainda mostrou que seis em cada dez simpatizantes do presidenciável recebem informações sobre ele por meio do Whastapp.
Na eleição anterior, as redes sociais já tinham um papel relevante, mas agora estão sendo decisivas. A grande questão, que nos leva para o começo deste texto, é a profundidade dessas informações. Outra pesquisa, desta vez promovida pelo Instituo Ispsos, apontou que o povo brasileiro é o que mais acredita em notícias falsas, as populares fake news. Segundo a apuração do órgão, 62% dos brasileiros creem que essas notícias sejam verdadeiras. Para efeito comparativo, a Arábia Saudita e a Coreia do Sul ocupam o segundo lugar, com 58% da população que aceita as notícias falsas como verdade. Peruanos e espanhóis vem logo depois.
Esta eleição terá um capítulo decisivo amanhã, o que poderá mudar a vida de todos. Ainda não sabemos se essa mudança será boa ou ruim, mas o que já é possível atestar é que esse pleito pode entrar para a história como o primeiro a ser decidido por informação de um aplicativo de celular.