As eleições presidenciais no Brasil já viraram tema para estudo de caso a cientistas políticos ou a quem se interessa pelo tema. O pleito atrai olhares do mundo inteiro nessa reta final, isso porque ninguém poderia imaginar que a disputa ficaria entre duas figuras de opostos extremos - Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). O quadro vai contra tudo que foi feito nas últimas eleições no mundo.
A reta final entre uma esquerda mais dura e extrema direita é inédita. No pleito de 2016, nos Estados Unidos, por exemplo, tivemos o republicano Donald Trump representando uma direita mais radical, contra a candidata de centro, Hillary Clinton. Na França, houve disputa entre extremos, contudo, o eleito Emmanuel Macron é de centro. Na Colômbia, a disputa foi entre centro-direita e centro-esquerda. E por ai vai.
No Brasil, a culpa dessa atual situação e esvaziamento do centro, é do próprio centro, saturado e desarticulado. Candidatos como Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Partido Novo), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Alvaro Dias (Podemos) falharam feio em não transmitir uma mensagem clara ao eleitorado. Por isso, todos eles estão caindo ou estagnados nas pesquisas de opinião. Uma estratégia pior que a outra. Se quisessem evitar o atual quadro de polarização entre os extremos, deveriam ter encontrado nomes para que pudessem se aglutinar no entorno.
O PSDB é a liderança do centro, mas vem fracassando ao longo das últimas décadas. Não há mensagem alguma transmitida pelo partido desde que Fernando Henrique Cardoso deixou o governo. Foi ai, inclusive, que a decadência começou - quando José Serra, candidato a sucessor de FHC, renegou o Plano Real e as privatizações, tão importantes à época. O fato é que nada foi construído depois disso.
Assim, o PSDB virou um partido de reboque. Nunca fez oposição ao PT, exceto no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O povo, em sua maioria, pode ser alienado e mal informado, mas partido de reboque, pamonha e que não se posiciona, nem brasileiro elege.