O ex-integrante da banda inglesa Pink Floyd, Roger Waters, em turnê pelo Brasil, dividiu o público que foi aos shows quando protestou contra o candidato do PSL Jair Bolsonaro. O texto #EleNão foi projetado em um telão durante as apresentações e a banda do britânico recebeu vaias e aplausos do público. O curioso de tudo isso é que, como os músicos estavam com o retorno dos instrumentos no ouvido, não puderam perceber de imediato as reações. Somente dias após o show é que a banda soube da reação do público.
Quem não gostou de nada disso foi o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, que em conversa com o empresário de Waters disse estar de saco cheio dessa mistura de política com música e que gostaria, como fã, de apenas curtir o som da banda. Há duas coisas interessantes para analisar sobre o desabafo do ministro; a primeira, mais simples, é que ele não deve entender muito bem as letras do Pink Floyd. A segunda, é que não deve saber que música e protesto sempre andaram de mãos dadas.
Na época dos anos de chumbo no Brasil, principalmente na década de 1970, os artistas nacionais utilizavam as canções para passar uma mensagem ao público de inconformidade política. Os músicos tinham a liberdade de criar alguns sons para protestar contra o regime militar. Entretanto havia a figura do censor, que tinha a responsabilidade de ouvir a obra e, constatando alguma informação que fosse contra o governo, aquela faixa era sumariamente riscada no próprio disco.
Foi assim que muitos cantores e compositores da época precisaram encontrar uma solução para manter o protesto, mas sem que os censores conseguissem identificar, como é, por exemplo, algumas músicas de Chico Buarque.
O ministro da Cultura deveria saber que protesto e música caminham a pari passu, ainda mais no Brasil, que deixou o governo militar há mais de 30 anos e as canções daquela época seguem vivas na memória de muita gente. Waters ainda tem outros shows pelo país e deverá projetar o
#EleNão novamente.