Se a eleição para a Presidência da República aparenta estar praticamente decidida, de acordo com a mais recente pesquisa de intenção de voto do Ibope realizada no dia 15, que aponta Jair Bolsonaro (PSL) com 59% da preferência contra 41% de Fernando Haddad (PT), o mesmo não se pode dizer da disputa para o governo do Estado: João Doria (PSDB) e Marcio França (PSB) estão tecnicamente empatados, segundo o levantamento feito na quarta-feira, também pelo Ibope. O tucano tem 52% de indicações e o atual governador conta com 48%. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, o empate é flagrante.
Bolsonaro até se deu ao luxo de cutucar seu adversário ao dizer, em tom de provocação, que está com uma mão na faixa presidencial. Faltando nove dias para o segundo turno, ele tem certa razão, afinal a esperada transferência de votos a partir do apoio dos candidatos derrotados ao petista não aconteceu. Ao contrário, Haddad tem hoje maior índice de rejeição que o capitão reformado e não conseguirá reverter o quadro.
No âmbito estadual, tudo está indefinido e deve caminhar neste ritmo até o dia da votação. Porém, cabe uma análise rápida sobre os reflexos que este empate despertam nas cidades do Alto Tietê. Levando em consideração os números do primeiro turno, Doria teve 200.158 votos nos dez municípios da região, enquanto que França obteve 156.709. O terceiro colocado, Paulo Skaf (MDB), foi o preferido por 148.312 eleitores. Derrotado, optou por apoiar França e, inclusive, gravou programas em favor do candidato.
O curioso nos registros do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) é que o tucano, apesar de conquistar a maioria dos votos, perdeu em quatro municípios: Ferraz, Guararema, Itaquá e Poá. Mais surpreendente ainda é que ele ficou em quarto lugar em Ferraz, sendo ultrapassado pelo petista Luiz Marinho, cidade onde o líder foi Skaf. Nestas circunstâncias, os prefeitos, com exceção da familiaridade partidária, ficaram de mãos atadas para declinar apoio aos candidatos. Um erro de cálculo nesta altura do campeonato, pode significar o ostracismo nos dois últimos anos de mandato.